Áreas estratégicas da gestão educacional

Com o objetivo de promover a articulação de todas as condições necessárias para a eficácia dos processos educacionais, o Instituto Ayrton Senna direciona os princípios de gestão para quatro áreas estratégicas presentes da educação formal: aprendizagem, ensino, rotina escolar e política educacional.

Aprendizagem

A primeira a ser observada e acompanhada é a aprendizagem, o quanto o aluno aprende, pois ela é o termômetro do sucesso ou do fracasso de todo e qualquer investimento em educação. De nada adiantam leis, recursos financeiros, capacitações, contratações e construções de prédios escolares se os resultados revelam que os alunos não aprendem e, consequentemente, acabam por serem excluídos do mundo do conhecimento. É fundamental que os professores atentem para as necessidades de aprendizagem das crianças, principalmente para o tempo individual que cada um precisa para desenvolver suas competências.

A gestão da aprendizagem, de forma planejada, e individualizada, com o uso de instrumentos de avaliação variados, permite à equipe escolar, uma vez conhecedora da dificuldade de cada aluno:

  • conhecer não só as dificuldades dos professores mas também da equipe pedagógica;
  • planejar rapidamente intervenções de curta duração mas que sejam efetivas e eficazes;
  • atender a todos de forma rápida e pontual, garantindo o respeito aos ritmos individual e escolar.

Como resultado, tem-se a ampliação dos índices de aproveitamento da proficiência dos alunos, da qualificação dos profissionais, e a elevação do patamar de aprendizagem dos alunos.

Ensino

Os resultados da aprendizagem forçosamente levam à gestão do ensino, o quanto o professor ensina. O aluno não aprendeu, será que lhe foi ensinado? O ensino é coerente com as necessidades dos alunos? A equipe escolar, com destaque para o professor, está preparada para o desafio do ato de ensinar?

A aprendizagem e o ensino não acontecem por osmose, de maneira espontânea, nem em momentos distintos, bem pelo contrário: são partes do mesmo processo que se complementam — só há ensino se houver aprendizagem e só há aprendizagem se houver ensino — assim, bem simples: ensino e aprendizagem são faces, indissociáveis, da mesma relação pedagógica professor e aluno. O primeiro tem o compromisso de ensinar e o segundo tem o direito de aprender.

Não é possível manter alunos presentes e interessados, em aulas sem planejamento ou planejadas sem compromisso com a aprendizagem. Se o professor não tiver percepção do nível de conhecimento dos alunos, não saberá aquilatar o “quanto” o “que” e o “como” ensinar. A missão da escola é estimular a aquisição do saber e o domínio das competências que permitem, dentre outros, o desenvolvimento do “aprender a aprender”. Essa missão efetiva-se através de uma gestão do ensino focada na aprendizagem do aluno.

Rotina Escolar

Tem-se por certo que a aprendizagem é o resultado final do processo de ensino que, por sua vez, decorre tanto da competência do professor ao trabalhar seu conhecimento e formação em sala de aula, quanto das rotinas da unidade escolar e até mesmo da infraestrutura. Não é possível ter rotina escolar se os elementos fundamentais de sustentação do tempo e da ação pedagógica não estiverem presentes: professor e aluno em sala de aula, em situação de ensino, com materiais adequados, apoio pedagógico e condições estruturais.

A rotina da escola, sob a responsabilidade do diretor, envolve trabalho físico e mental para que dê conta do cumprimento dos dispositivos legais e de demandas internas e externas: planejamentos; relatórios; informativos; prestação de contas; organização da merenda, do transporte, do material didático e tecnológico para suprir a demanda dos professores; análise de problemas e adoção de soluções rápidas e eficazes; acompanhamento da vida funcional dos profissionais da escola; otimização do ambiente escolar, e atitudes positivas no relacionamento humano, caracterizadas pela confiança, harmonia e espírito de equipe.

Naturalmente, a rotina escolar não se esgota nessas questões, como também sozinha não garante a boa qualidade da aprendizagem, mas sem dúvida a ausência de rotinas sistematizadas, competentemente estruturadas e trabalhadas pela escola, podem se constituir em dificuldades ao desenvolvimento de uma prática pedagógica – ensino/aprendizagem – que conduza ao sucesso do aluno.

Política Educacional

A política educacional possibilita às escolas serem parte de uma rede de ensino, e às secretarias de Educação cuidarem para que o conjunto das escolas seja uma unidade. A secretaria de Educação, estadual ou municipal, é, então, uma instância integradora e articuladora.

Cabe à secretaria de Educação:

  • conhecer e aplicar os dispositivos legais;
  • adotar procedimentos para fortalecer o papel da escola na perspectiva da gestão democrática e autônoma;
  • investir na ampliação da competência técnica e pessoal das equipes;
  • cuidar para que haja unidade curricular;
  • monitorar e acompanhar o desempenho da rede como um todo e das escolas em particular;
  • promover avaliação externa dos resultados e do desempenho dos alunos;
  • fortalecer a competência dos diretores de escola;
  • promover as condições adequadas, suficientes e satisfatórias para que o processo de ensino se efetive em cada unidade escolar, em cada sala de aula, considerando como fundamento de toda a política o foco na aprendizagem do aluno.

Educação requer ações coletivas e responsabilidades compartilhadas, e estas demandam a articulação entre duas instâncias de gestão: a secretaria de educação e a escola, que precisam manter suas identidades e evitar a duplicação de tarefas.