A construção da qualidade da educação pela via gestora

O grande desafio enfrentado pelos responsáveis em obter resultados em todo e qualquer processo, seja ele social ou empresarial, é garantir eficácia e eficiência aos mesmos, única forma de evitar tanto a perda de talentos pessoais quanto financeiros, transformando investimentos em simples gastos. Enfrentar esse desafio requer o envolvimento e o comprometimento de todos aqueles que, de alguma forma e em algum momento, participarem do processo.

Quando as pessoas sentem-se parte da construção de um projeto, e compartilham dos mesmos ideais, sentem-se também parte da solução e trabalham para o seu sucesso. Esse é o sentido da formação de uma rede. Envolver-se em rede significa colocar saberes e experiências a serviço da causa e otimizar recursos disponíveis. Significa tomar decisões compartilhadas e incentivar a autonomia e a participação. Todos os envolvidos devem se dispor a encontrar um caminho para atingir o objetivo, definindo consensualmente sobre prioridades e estratégias de enfrentamento das necessidades identificadas. E é aqui que entra a gestão.

Gestão

Círculo virtuoso da gestão

O termo “gestão” tem conquistado espaço, tanto nas empresas privadas quanto na área pública, em substituição a denominações tradicionalmente adotadas, como “gerência” e “direção”, por exemplo, e muitas vezes é confundido com “administração”. Ressalte-se que, nem sempre, a troca de denominações vem acompanhada de mudanças conceituais, assim como dificilmente altera práticas organizacionais, principalmente nas instituições públicas. Entende-se gestão como a articulação não apenas entre os recursos disponíveis — humanos, materiais e financeiros — mas também entre os dois vértices do conhecimento — a teoria e a prática.

A gestão implica na organização de processos assentados no diagnóstico, no planejamento, na execução e na avaliação como um novo diagnóstico, através do qual se evidencia a necessidade de promover mudanças na rota ou na forma de trabalho que, por sua vez, requer o replanejamento de ações.

É um verdadeiro ciclo positivo, ou virtuoso, que se impõe e que requer o integral posicionamento do gestor, com todos os seus saberes e suas habilidades.

Processos para a gestão eficaz, eficiente e efetiva

DIAGNOSTICAR

A dinâmica das ações gestoras inicia-se pelos estudos sobre a realidade situacional, com base em informações quantitativas e qualitativas, com vistas a fechar um diagnóstico consistente e com alto grau de fidedignidade. A coleta e consolidação de dados são importantes, mas mais importante ainda é o cruzamento e a leitura das informações. É fundamental ter essa clareza sobre o contexto no qual se atua, pois é nela que se apoia a definição de prioridades devidamente elaboradas no planejamento estratégico.

EXECUTAR E ACOMPANHAR

Não basta planejar, é preciso que a execução das ações planejadas seja sistematicamente acompanhada pelos respectivos responsáveis, já que eles serão os mediadores entre as equipes executoras e o gestor maior. Acompanhamento exige presença, conhecimento, disponibilidade e tempo, que pode ser feito de forma presencial ou a distância, cuja característica principal reside nas observações e em seus respectivos registros, itens que darão consistência ao processo, e que embasarão as decisões que forçosamente serão demandadas dos gestores.

PLANEJAR ESTRATEGICAMENTE

Uma vez completo o diagnóstico situacional é hora de as equipes responsáveis elaborarem os respectivos planejamentos, cuidando do estabelecimento das prioridades, da definição sobre os responsáveis pelas ações, do cronograma de execução e, o que é muito importante, da viabilidade de execução, determinada pelos recursos disponíveis, sejam eles humanos, materiais ou financeiros. Pensar estrategicamente é projetar o futuro a partir do presente, com os ativos disponíveis. Realizar esse futuro não é algo simples que aconteça naturalmente. Muito pelo contrário, é preciso conhecer o caminho a ser percorrido, organizar os passos, e não esquecer, em hipótese alguma, que as soluções propostas têm a função, como o próprio nome indica, de superar os “nós” detectados no diagnóstico, o que impõe a inclusão de momentos avaliativos, formais e informais, de processo e de resultados.

AVALIAR PROCESSO E RESULTADO

Avaliar é cruzar os objetivos que determinaram as ações com os resultados esperados em cada uma delas. A avaliação de processo, isto é, aquela que acontece durante a execução, permite identificar rapidamente as ameaças, em tempo hábil para a adoção das intervenções de superação, o que somente poderá ser feito se o acompanhamento for eficaz. A avaliação de resultados é aquela que acontece ao final do processo, quanto se torna simples constatação do realizado, e nada mais poderá ser feito para transformar o negativo, se for o caso, em positivo. O ato de avaliar, através de processos interno ou externo, formal ou informal, requer a adoção de balizadores, de parâmetros para identificar o sucesso ou não da empreitada. Esses parâmetros são chamados de indicadores, que devem estar devidamente acompanhados de suas respectivas metas.