Educação no mundo contemporâneo

Em um mundo cada vez mais interdependente, onde todos estão diretamente ligados ao que ocorre em qualquer lugar, o conceito de cidadania deve focar o ser humano numa perspectiva global. E a educação tem um papel essencial na transmissão de conhecimentos, no desenvolvimento de habilidades e formação de valores, necessários para que a geração do século 21 possa construir um mundo justo, onde todos possam desenvolver seus potenciais. Portanto, a educação na contemporaneidade apresenta desafios para o mundo inteiro e responsabilidades para quem atua nessa área. Com o desenvolvimento das tecnologias da informação e da comunicação, o aluno hoje é desafiado a ser um cidadão do mundo, a estar integrado com a evolução dos problemas e das soluções internacionais.

"A educação é o caminho privilegiado da inclusão social de crianças e adolescentes"

O aluno, ao assumir o papel de sujeito, torna-se protagonista do processo de crescimento e preparação para a vida, como pessoa e como cidadão. Trata-se de uma decisão pessoal, mas que recebe o acompanhamento e o apoio de todos, para que ele se torne um vencedor.

Destacam-se, nesse processo, tanto os educadores que lhe são diretamente próximos, como o professor e sua família, quanto aqueles que contribuem de forma indireta, como a equipe da unidade escolar e da secretaria de Educação.

A comunidade internacional tem se mobilizado nesse sentido há tempos. A “Declaração Mundial de Educação Para Todos”, assinada pelos países membros da ONU, reunidos na Conferência Mundial sobre Educação para Todos, em Jomtien, Tailândia, em 1990, apontou metas para o novo milênio, que foram revisadas no ano 2000, durante a “Cúpula Mundial de Educação”, também promovida pela ONU, em Dakar, Senegal. O compromisso de “Educação Para Todos” foi reafirmado, determinando-se que até 2015 todas as crianças deveriam ter acesso à educação básica gratuita e de qualidade. Novas metas foram pactuadas.

EDUCAÇÃO PARA TODOS

METAS

  1. Expandir e melhorar o cuidado e a educação da criança pequena, especialmente para crianças mais vulneráveis e em maior desvantagem;
  2. Assegurar que todas as crianças, com ênfase especial nas meninas e crianças em circunstâncias difíceis, tenham acesso à educação primária, obrigatória, gratuita e de boa qualidade até o ano de 2015;
  3. Assegurar que as necessidades de aprendizagem de todos os jovens e adultos sejam atendidas pelo acesso equitativo à aprendizagem apropriada, às habilidades para a vida e a programas de formação para a cidadania;
  4. Alcançar uma melhoria de 50% nos níveis de alfabetização de adultos até 2015, especialmente para as mulheres, e acesso equitativo à educação básica e continuada para todos os adultos;
  5. Eliminar disparidades de gênero na educação primária e secundária até 2005 e alcançar a igualdade de gênero na educação até 2015, com enfoque na garantia ao acesso e o desempenho pleno e equitativo de meninas na educação básica de boa qualidade;
  6. Melhorar todos os aspectos de qualidade da educação e assegurar excelência para todos, de forma a garantir a todos resultados reconhecidos e mensuráveis, especialmente na alfabetização, matemática e habilidades essenciais à vida.
Saiba mais no site da UNESCO

CENÁRIO

O documento de Dakar apontou também para responsabilidades e caminhos: o Marco de Ação de Dakar é um compromisso coletivo para a ação. Os governos têm a obrigação de assegurar que os objetivos e as metas de EPT (Educação Para Todos) sejam alcançados e mantidos. Essa responsabilidade será atingida de forma mais eficaz por meio de amplas parcerias no âmbito de cada país, apoiada pela cooperação com agências e instituições regionais e internacionais.

Nas edições do “Relatório de Monitoramento Global”, lançado anualmente pela UNESCO, são avaliados os progressos alcançados mundialmente em relação às metas de EPT. Os relatórios podem ser acessados clicando aqui. O Brasil está entre os 53 países que ainda não atingiram e nem estão perto de atingir os Objetivos de Educação para Todos até 2015, apesar de ter apresentado importantes avanços no campo da educação ao longo das duas últimas décadas.

Neste cenário complexo não existem fórmulas mágicas ou receitas prontas para o soerguimento do edifício educativo, mas sim caminhos que conduzam à necessária qualidade do fazer educativo. A educação, voltada para a equidade e para a emancipação, exige uma redefinição do perfil dos sujeitos da ação educativa, tornando-os corresponsáveis pelos resultados do processo educacional.

A educação é, então, o caminho privilegiado da inclusão social de crianças e adolescentes, comprometida que deve estar com seu desenvolvimento cognitivo, afetivo e relacional, ao longo de todo o processo da escolarização formal. Mas para isso, é preciso evitar que crianças e adolescentes passem pela amarga experiência do fracasso decorrente da não aprendizagem, e realmente sejam beneficiários do direito que lhes é constitucionalmente dado. Cabe à sociedade zelar pelo seu sucesso e garantir que a inclusão seja realidade.