A água no mundo e sua distribuição no Brasil

A atividade 1: A água vai ou não vai acabar? mostra claramente os diferentes tipos de água, sua distribuição/localização e disponibilidade, indo de uma grande proporção (garrafa) até uma quantidade muito pequena (tampinha). Retomando os dados da Matemática, cerca de 75% da superfície terrestre é dominada pelas águas, os 25% restantes são terras emersas, ou seja, acima da água. A maior parte está nos oceanos, como água salgada. Dos 2,7% do total de água doce do Planeta, a maior concentração está nas calotas polares, como água congelada, ou nos lençóis subterrâneos: ambas mais difíceis e caras de se obter. A água mais fácil (e muito utilizada pelos seres humanos) é a água doce superficial disponível nos rios, lagos e represas - nossos mananciais – que são fontes para abastecimento humano e para todas as nossas atividades. Eles representam a menor parte de toda a água doce do mundo.

A fragilidade não para por aí: água doce não significa água potável, aquela de boa qualidade para o uso doméstico, livre de contaminação e de qualquer substância tóxica e incapaz de infectar o consumidor. Acredita-se que menos de 1% de toda a água doce do Planeta está em condições potáveis para servir ao consumo humano, daí o impacto da proporção garrafa x tampinha.

A partir desta relação, demonstre que uma parte desta água valiosa está no Brasil. Desde seu descobrimento, encantamos o mundo pela abundância de rios e cachoeiras. Segundo dados do WWF-Brasil, temos 17% da água disponível do planeta. Associe a água com a dinâmica de vida dos biomas brasileiros: o mais extenso rio (Amazonas) de água doce do mundo garante a riqueza da Amazônia; o Pantanal que representa a maior planície inundável do Planeta e cujas cheias ajudam a preservar e renovar a biodiversidade; o Cerrado com o maior aquífero (Guarani) de água doce subterrânea, cujas raízes das árvores podem medir até 15 metros para alcançar a água doce; a Caatinga com suas árvores repletas de água no tronco para garantir a vida nas secas...

Deixe claro que tamanha quantidade de água não é garantia de abastecimento para todos. A principal razão é a distribuição geográfica da água em nosso território. A maior parte da água doce do está concentrada na Bacia Amazônica e a maior parte da população brasileira não vive ali, mas em municípios/ áreas de Mata Atlântica. Além de ter menos concentração de água comparada ao bioma Amazônico, a Mata Atlântica foi reduzida a apenas 8% da original (Fundação SOS Mata Atlântica). Muitos mananciais que abastecem milhões de brasileiros estão comprometidos pela poluição, agrotóxicos, desmatamento, ocupação mal planejada do solo e do subsolo. Há mananciais que simplesmente secaram! Ter um bom planejamento da distribuição e um uso racional e seguro do potencial hídrico do Brasil, somado a gestão compartilhada de proteção águas & florestas, com saneamento básico implantado em 100% do território nacional, deve ser um compromisso conjunto. A educação precisa melhorar a sensibilização geral frente a essa cultura da abundância, criando responsabilidade coletiva no combate ao desperdício e ser amparada por uma melhor eficiência dos sistemas governamentais e privados no abastecimento de água, de saneamento e da gestão integrada dos recursos naturais no país.

A água, o saneamento ambiental e a nossa saúde

Além de nosso corpo ser composto na maior parte de água (cerca de 70%), nossa saúde depende diretamente de água de qualidade, ou seja, água limpa = saúde humana. Por exemplo, imagine como seria ter que realizar algumas atividades de higiene sem água potável como: lavar os alimentos, tomar banho, escovar os dentes..? Falando em lavar, como anda ao seu trabalho de orientar os alunos sobre a importância da prevenção com o ato de “lavar as mãos”? Este gesto simples, esquecido na correria do dia a dia e não enraizado como hábito desde a infância, pode salvar vidas! É por isso que existe o Dia 15 de Outubro – Dia Mundial de Lavar as Mãos. Uma boa dica é ensinar a lavar as mãos corretamente e de forma lúdica para criar o interesse das crianças.

Na Atividade 1 “A água vai ou não vai acabar?” é trabalhado o significado de água potável, sendo que na maioria das vezes é preciso que ela seja tratada. Em geral isso acontece em uma Estação de Tratamento de Água (ETA), uma verdadeira limpadora de água! Por meio de vários processos físicos e químicos, a água é tratada até que atinja características adequadas ao consumo humano.

O tratamento da água é uma das estratégias fundamentais do saneamento ambiental, que engloba outras ações necessárias para garantir as condições de uma vida saudável no campo e nas cidades: serviços de esgotamento sanitário; coleta e tratamento dos resíduos sólidos; drenagem urbana; e controle de vetores e reservatórios de doenças transmissíveis.

A questão do saneamento ambiental no Brasil ainda é muito preocupante, pois apenas 1/3 do esgoto no Brasil recebe algum tipo de tratamento, seja por meio de fossa séptica, Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) entre outros. O Instituto Trata Brasil é uma Oscip muito séria neste assunto e por meio do seu site www.tratabrasil.org.br , você poderá saber mais sobre a gravidade do problema e acompanhar os avanços no Brasil. Baixe o Estudo: “Saneamento Ambiental Inadequado e Impactos à Saúde da População” em http://www.tratabrasil.org.br/datafiles/uploads/drsai/Book-Trata-B.pdf

Além disso, a falta de saneamento ambiental está relacionada com a ocorrência de diversos sintomas/doenças que afetam muitos brasileiros e que são abordados na Atividade 2: “Detetives da água na escola” como: cólera, diarreia, verminoses, infecções, leptospirose, esquistossomose, entre outros. Viver em um município que possua um sistema de saneamento ambiental implementado (acesso à água de qualidade, coleta e tratamento de esgotos e resíduos sólidos) faz toda a diferença para reduzir estas doenças que afetam a saúde da população, sobrecarregam os hospitais, reduzem a produtividade dos trabalhadores e interferem no aprendizado das crianças nas escolas.

Em seguida, promova as seguintes reflexões com sua turma: Nossa água é tratada? Onde? Para onde vai nosso esgoto? É tratado? Como?

Lembre-os que os rios geralmente deságuam nos Oceanos (mostre a ilustração no Painel “Água em tudo e para todos!”) e o lançamento de volumes consideráveis de esgoto doméstico e industrial sem tratamento, direta ou indiretamente no oceano, também vem comprometendo a qualidade das águas, constituindo-se uma ameaça não só à saúde humana, mas principalmente à vida marinha e aquática.

Selecione os dados mais importantes para sensibilizar os alunos sobre saneamento ambiental no Brasil:

  • 81,1% da população tem acesso a água potável ;
  • Consumo de água/pessoa cresceu 7,1% em apenas um ano (2009-2010). Cada habitante consome em média 159 litro/dia;
  • Quase 40% da água tratada no Brasil é desperdiçada;
  • 46,2% da população não tem suas casas conectadas a rede de esgotos;
  • 37,9% do esgoto recebe algum tipo de tratamento;
  • A diferença de aproveitamento escolar entre crianças que têm e não têm acesso ao saneamento básico é de 18%.

Água virtual: água em tudo e para todos!

Não restam dúvidas que não podemos sobreviver sem água. Mas, qual é o risco de ficarmos sem alimentos? O relatório “O Estado dos Recursos Hídricos em Terra, para a Alimentação e a Agricultura”, publicado pela FAO - Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, trouxe um alerta de que a escassez crescente e a poluição da água representam um grave risco para os sistemas de produção de alimentos essenciais em todo o mundo. Afinal, quase 70% da água doce do mundo é consumida na irrigação, principalmente na produção de alimentos e rações de animais. Para piorar a situação, a irrigação é também compartilhada na produção de vestuário, de mobiliário (plantio e crescimento das mudas) e na crescente demanda por biocombustíveis.

Pior do que a produção é o desperdício: “Mais de um quarto de toda água que usamos no planeta se destina ao cultivo de mais de um bilhão de toneladas de alimentos que ninguém consome... Essa água e os milhares de milhões de dólares investidos no cultivo, embarque, embalagem e compra do alimento são jogados fora” (Holmgren, FAO, 2013). O Brasil não fica para trás: a maior parte do nosso lixo é orgânico, composto de restos de alimentos que ninguém consome!

Alguns pesquisadores chegam a dizer que não é a “água de beber”, mas a “água comestível” uma das grandes ameaças ao futuro da humanidade. Veja o caso da quantidade de água gasta na produção de um prato de arroz com carne e verduras: são necessários 4.230 litros, enquanto um grosso e suculento bife, alimento básico em muitos países do Norte industrializado, consome uma das maiores quantidades de água: aproximadamente sete mil litros (FAO,2013).

É assustador, não é mesmo? Você pode dar outros exemplos usando a tabela de consumo de água na fabricação de produtos do dia a dia contida na Atividade 2 “Detetives da Água”e também ensinar aos alunos o conceito de “água virtual – aquela que não vemos, mas que existe em tudo o que produzimos e fazemos” . Uma boa ideia para “traduzir o problema” é construir um painel com imagens retiradas de jornais e revistas e expor gradativamente as proporções de água e o grande desperdício, assim ficará mais compreensível a compreensão para os alunos mais novos.

Pensando bem, tudo é água e, portanto, combater o desperdício e economizar “todos os tipos de água”, incluindo o consumo consciente e responsável de cada produto do nosso dia a dia , é o caminho mais sábio e direto para reduzir a pressão sobre os recursos hídricos. Valorizando também a necessidade de garantir e compartilhar água para cada ser vivo na Terra e para as paisagens naturais.