A educação ambiental como processo: flexível, dinâmico, permanente e contínuo

Durante décadas, o aprendizado sobre o meio ambiente ficou restrito as disciplinas de Ciências e de Biologia, valorizando as questões naturais, sem integrá-las às questões sociais, geográficas, históricas, econômicas e, tampouco, tendo o ser humano como parte integrante e responsável pela sustentabilidade, representando um sério risco para o próprio desenvolvimento.

Com o surgimento da educação ambiental tudo pareceu mudar para melhor. Muitas mãos, mentes, esforços individuais e coletivos, fortaleceram a ideia de que meio ambiente é mais do que “natureza” e que a educação orientada é um poderoso instrumento para resolver os problemas ligados à degradação ambiental. Amparada pelas políticas públicas, a educação ambiental encontrou seu espaço nas escolas brasileiras, muitas vezes pela transversalidade.

A transversalidade facilita a interação de métodos e conceitos, criando novos instrumentos de educação ambiental a partir da vivência de cada um. Ela permite que o educador tenha uma visão mais global da questão ambiental, onde tudo depende de tudo, assim como cada disciplina tem interface com outra disciplina, facilitando o foco no contexto local.

Mas, será que avançamos o suficiente e na direção certa? Reflita sobre as questões propostas a seguir correlacionando a realidade da sua escola e a sua atuação como educador.

  • A educação ambiental é um direito de todos, onde somos todos aprendizes e educadores.
  • A educação ambiental deve integrar conhecimentos, aptidões, habilidades, valores, atitudes e ações, convertendo cada oportunidade em projetos e experiências educativas de sociedades sustentáveis.
  • A educação ambiental começa no meio da gente, no cuidado consigo, na percepção do entorno e do outro, na visão de que tudo é um sistema, no zelo com o que está mais próximo de nós. De que vale envolver os alunos no plantio de árvores se as carteiras e os cadernos continuam a ser destruídos na escola?
  • A educação ambiental permite aos alunos o resgate da autoestima, a valorização das habilidades de cada um, o envolvimento com o outro e com o Planeta, pela cooperação e pelo bem comum, a vontade de superar desafios ao invés de resolver problemas;
  • A educação ambiental não pode se restringir a mera transmissão de informações sobre as questões naturais ou ambientais, sem “tocar” o coração e “estimular” a mente dos alunos a ponto deles realmente se conhecerem, decidirem por livre escolha, e mudarem de comportamento e de atitude. Quando apenas informamos, a mudança de atitude também corre o risco de ser momentânea e pontual;
  • A educação ambiental deve integrar conhecimentos, aptidões, habilidades, valores, atitudes e ações, convertendo cada oportunidade em projetos e experiências educativas de sociedades sustentáveis;
  • A educação ambiental é mais do que uma porção de atividades pontuais ou “penduricalhos ecológicos” que recheiam o currículo, no ano letivo, ligados as datas comemorativas, sem integração com as demais áreas de conhecimento, com caráter descontínuo, ano após ano, e muito menos sem o monitoramento das mudanças obtidas;
  • A educação ambiental envolve mais de um, é um trabalho de equipe de toda a comunidade escolar (gestores, professores, alunos, funcionários e pais) numa sinergia positiva e mobilizada para transformar o seu pedaço para melhor;
  • Um educador ambiental é um líder que aprende a lidar com conflitos, facilita e não impõe ideias, cria redes e trocas de saberes, como também meios para fortalecer pessoas e instituições para a independência posterior (sustentabilidade);
  • O interesse pela educação ambiental é despertado a partir de fatos curiosos, envolventes, animadores, práticos e vivenciais. Surge com a investigação das mudanças desejadas e ganha força pela esperança, deixando de lado o pessimismo e a sensação de que não há nada a fazer;
  • A educação ambiental não tem como expectativa somente a mudança de comportamento, mas também o reforço ou a retomada de atitudes positivas que existem ou já existiam.

Se, durante a leitura, você ficou em dúvida ou incomodado (a) quanto à prática da educação ambiental na sua escola em mais de duas questões, é hora de fazer com que as questões ambientais sejam parte da vida e da rotina das crianças e jovens, como a vontade que passa pela mente, mas também pelo coração, com a afetividade suficiente para cuidar, como cuidamos do que mais amamos na vida!