1ª edição

Dentre os jornais produzidos nessa primeira edição, que envolveu os formatos de Bilhete Argumentado, História de Vida, Poesia e Texto de Opinião, há uma diversidade de situações:

Þ Há bilhetes muito interessantes, dirigidos a mais de um destinatário (direção, prefeito, coordenadora, professora, mãe) de acordo com o assunto tratado, mas a maioria foi dirigida apenas à direção da escola. Apareceram também bilhetes pessoais, sem uma temática definida. Em várias escolas a direção respondeu aos alunos; em uma escola o prefeito respondeu a todos os bilhetes recebidos.

Þ Nas Histórias de Vida, apareceram histórias hilárias ou tristes, com temáticas infantis e até de adolescentes. No geral elas giravam em torno das próprias famílias. No entanto apareceram vários jornais focados na biografia do aluno, alguns até intitulando assim o grupo de textos do 5º ano.

Þ Alguns jornais apresentaram temáticas variadas, outros se restringiram a uma ou duas; apareceram temáticas locais e muito interessantes, mas predominaram temas gerais repercutidos pela mídia, notadamente a televisão. Alguns textos apresentaram uma linguagem muito próxima da linguagem formal, adulta, presente nos jornais escritos ou telejornais.

Outras observações:

  • Gêneros literários: 4 escolas produziram apenas “bilhetes argumentados”, pois só têm o 4º ano; 24 escolas só produziram “bilhetes argumentados” e “histórias de vida”, isto é, têm 4º e 5º ano; 6 jornais apresentaram apenas “poesia” e “textos de opinião”, gêneros de 6º e 7º ano; 3 outros jornais publicaram três gêneros: do 4º, do 5º e do 6º ano ou do 7º ano; em 18 escolas os jornais publicaram os quatro gêneros.
  • Diversidade dos artigos: algumas escolas usaram o espaço do jornal para publicar matérias sobre suas atividades ou para transmitir mensagens; apareceram alguns artigos redigidos por alunos de 3º ano misturados com os de 4º ano; alguns “artigos” produzidos por alunos não se enquadravam em nenhum dos quatro gêneros previstos para a 1ª edição (advinhas, hora das novidades etc.).
  • Títulos: há títulos bem interessantes e sugestivos e outros mais formais, refletindo a convivência com os jornais comerciais ou institucionais que circulam na comunidade. A apresentação dos títulos variou bastante quanto à fonte utilizada e à presença de ilustração.
  • Editoriais: a grande maioria publicou um editorial. A autoria variou entre a direção da escola, a coordenação pedagógica ou do jornal ou não foi informada.
  • Diagramação: a distribuição dos textos nas páginas e a organização dos espaços foram bem variadas. Há jornais que destacaram com subtítulos os gêneros literários produzidos, orientando a compreensão do leitor; há jornais que agruparam os textos por gênero literário, sem intitulá-los; há jornais que misturaram gêneros numa mesma página. A maioria destacou o destinatário do bilhete, mas a identificação da estrutura do bilhete ficou prejudicada onde isto não ocorreu.
  • Ilustração: todos os jornais receberam ilustrações, uns ocupando mais espaços, outros menos, o suficiente para quebrar a sequência de textos e alegrar a página. Predominaram os desenhos dos alunos, havendo poucas figuras ou fotos. De fato é muito importante aproveitar ao máximo os espaços para a produção textual dos alunos, pois eles se mobilizam para comunicar.

De uma forma em geral e pelos relatos dos professores, é possível perceber que a ferramenta contribuiu para melhorar o aprendizado dos alunos em Língua Portuguesa assim como para o trabalho com competências socioemocionais. A experiência de uma professora de Estreito, no Maranhão, confirma esse processo: “Acompanhamos o desenvolvimento das sequências didáticas que no começo não foi fácil devido a alguns alunos não desenvolverem bem a escrita e a leitura, mas com a dedicação dos professores, nós conseguimos chegar ao final do trabalho. Ficamos orgulhosos quando começamos a ver os primeiros relatos e depoimento dos alunos, histórias marcantes e fiquei surpresa com tantas histórias de vida onde o aluno colocou no papel a sua realidade familiar; algumas foram tristes, outras alegres, mas com essa experiência pudemos conhecer melhor o dia a dia daquele aluno e pudemos ajudá-lo naquilo que ele tem dificuldade. Foi um trabalho que fez com que alguns alunos que não tinham muito entrosamento com outros puderam trocar experiências e ali criar uma grande amizade através de suas histórias e bilhetes.”

Acesse aqui o arquivo da primeira edição de todos os jornais publicados (http://www.jornalescolar.org.br/arquivo-de-jornais/)